3. BRASIL 5.6.13

1. PERDOADOS
2. DISTRIBUIO DE MENTIRAS
3. UMA AFRONTA INACEITVEL
4. DUDU TRAZ A TEMPESTADE

1. PERDOADOS
Para atender a potenciais financiadores de campanha, o governo brasileiro perdoa dvida de pases chefiados por nababos que enriqueceram  custa do povo.
OTVIO CABRAL

     Na comemorao dos cinquenta anos da fundao da Unio Africana, realizada na semana passada na Etipia, a presidente Dilma Rousseff deu aos anfitries um presento de 840 milhes de dlares. O valor equivale ao total da dvida que doze pases do continente haviam contrado com o Brasil e que a partir de agora no tero mais de se preocupar em pagar. O governo brasileiro os perdoou. Na foto oficial do evento, em que os chefes das naes beneficiadas aparecem sorridentes ao lado da brasileira, esto Teodoro Obiang e Omar al-Bashir. O primeiro  o mais longevo ditador africano. Sua biografia inclui o assassinato de inimigos, entre eles um tio. Ao longo dos 34 anos em que comanda com mo de ferro a miservel Guin Equatorial, acumulou uma fortuna que inclui uma frota de 32 carros de luxo, entre eles sete Ferrari, cinco Bentley, quatro Rolls-Royce, dois Maserati, dois Lamborghini, dois Maybach, dois Mercedes, dois Porsche, um Aston Martin e um Bugatti. Jamais, porm, seu governo pagou os 12 milhes de dlares que deve ao Brasil. Seu colega Omar al-Bashir  24 anos de poder, dois mandados internacionais de priso e 9 bilhes de dlares em parasos fiscais, segundo um promotor do Tribunal Penal Internacional  acaba de ter perdoada a dvida de 43 milhes de dlares que seu pas tinha para com o Brasil. Habituados a enriquecer  custa de suas populaes, Obiang e Al-Bashir agora daro prejuzo tambm ao contribuinte brasileiro. 
     Foi o pragmatismo eleitoral, mais do que a solidariedade aos povos sofredores, que orientou a deciso da presidente Dilma de perdoar a dvida dos pases africanos. A questo  que empreiteiras, mineradoras e produtoras agrcolas brasileiras querem atuar nesses pases com financiamento do BNDES (o rgo acaba de aprovar a criao de um escritrio de representao na frica do Sul). Ocorre que a legislao nacional impede a concesso de benefcios a naes com dvidas atrasadas junto ao Brasil. Ao abrir mo da cobrana dos dbitos, medida que ainda precisa ser aprovada pelo Senado, o governo pretende remover essa barreira  e deixar o caminho livre para as empresas amigas. 
     A empreiteira Camargo Corra foi convidada por Obiang a construir uma rede de estradas ligando o litoral ao centro da Guin Equatorial, obra orada em 2 bilhes de dlares. Empresas agrcolas como a Amaggi, do senador Blairo Maggi (PR-MT), foram chamadas por Al-Bashir para plantar soja no Sudo, que tem relevo e clima semelhantes aos do cerrado brasileiro. A Camargo Corra foi a segunda maior financiadora da campanha de Dilma em 2010, com 7,6 milhes de reais. Entre as empresas de soja, s a Amaggi pingou no cofre da campanha 620.000 reais. A presidente conta com a continuao dessa generosidade no ano que vem, quando disputar a reeleio. A expectativa se justifica pelo tamanho do favor prestado. "O perdo da  dvida atendeu a um pedido dos financiadores de campanha", confirma um assessor da presidente. "Como troco, a medida d prestgio poltico e diplomtico ao Brasil na regio." Pases africanos esto entre os principais eleitores de candidatos brasileiros que chegaram ao comando de organismos internacionais, como Jos Graziano na FAO (agncia de alimentao da ONU) e Roberto Azevedo na Organizao Mundial do Comrcio. 
     As dvidas perdoadas foram constitudas nos anos 1970 e 1980, quando diversos pases africanos deixaram de honrar negcios com estatais e empresas privadas brasileiras. As transaes eram garantidas pelo Instituto de Resseguros Brasil, que foi extinto. Os valores, ento, passaram a ser devidos ao Tesouro Nacional. O Brasil, alegando ter pouca chance de receber aquilo a que tinha direito, aderiu h dois anos a um projeto da ONU, FMI e Banco Mundial destinado a beneficiar pases insolventes. '"O valor do qual o Brasil abriu mo no  alto, mas o gesto manter aberto todo o mercado africano, onde a balana comercial pende para ns", defende o ex-embaixador do Brasil em Washington Roberto Abdenur. 
     Se so bons para o governo, o PT e seus financiadores de campanha, negcios como esses j se revelaram pssimos para os contribuintes brasileiros. Em 1981, a empreiteira Mendes Jnior foi contratada pelo governo do Iraque para construir uma estrada de seis pistas e 128 quilmetros, por 333 milhes de dlares. Assim como faz agora na frica, o governo brasileiro foi o fiador do negcio para manter abertos o mercado iraquiano e o acesso a seu petrleo  o Banco do Brasil abriu linhas de crdito de 209 milhes de dlares  Mendes Jnior. Com o incio da guerra entre Ir e Iraque, a inflao no pas disparou, os custos com logstica aumentaram e a empreiteira tomou um calote do governo que foi de Saddam Hussein. Para receber o dinheiro, acionou, claro, o governo brasileiro. O processo se arrasta h anos e j est avaliado em mais de 10 bilhes de reais. 
     A aproximao do Brasil com os pases africanos foi iniciada no governo Lula com o objetivo de melhorar a balana comercial e aumentar a relevncia do pas no exterior. Para Lula, o totalitarismo de governantes nunca foi um problema  o ex-presidente chegou a dizer que queria aprender com o ditador do Gabo "como ficar 37 anos no poder". At a semana passada, a estratgia tinha produzido mais ganhos para o governo e o PT do que para o pas. Agora, o rol dos beneficiados inclui tambm alguns tiranos. A frota de Obiang em breve dever crescer. 

TEODORO OBIANG
Ditador da Guin Equatorial h 34 anos,  acusado de crimes de tortura e lavagem de dinheiro. Tem uma frota de carros avaliada em 5,4 milhes de dlares. Em 2012, comprou uma cobertura na Avenida Vieira Souto, no Rio de Janeiro, por 80 milhes de reais  foi a maior transao imobiliria da histria da cidade.

OMAR AL-BASHIR
Presidente do Sudo h 24 anos, teve a priso pedida pela Corte Internacional por crimes de guerra contra a humanidade  todos referentes ao massacre de Darfur, em que quase 300.000 pessoas morreram. Desviou dos cofres do governo para contas pessoais no exterior pelo menos 9 bilhes de dlares

COM REPORTAGEM DE JULIA CARVALHO E ADRIANO CEOLIN


2. DISTRIBUIO DE MENTIRAS
Para gerenciar a crise provocada pelos boatos sobre a extino do Bolsa Famlia, o governo escolheu semear a confuso e esconder a verdade.
ROBSON BONIN E ADRIANO CEOLIN

     A imagem de um constrangido presidente da Caixa Econmica Federal admitindo diante das cmeras de TV que a instituio mentiu  populao foi o auge de uma srie de episdios tristemente grotescos que envolveu o governo e o Bolsa Famlia. H cerca de trs semanas, passaram a circular boatos sobre a iminente extino do maior programa social do pas. Os rumores alimentaram uma onda de saques e resultaram em uma sucesso de quebra-quebras de agncias bancrias e casas lotricas em doze estados. Dado que o Bolsa Famlia  tambm o carro-chefe da campanha  reeleio da presidente Dilma Rousseff, no  conveniente que seja associado a falcatruas ou barbeiragens gerenciais. Para evitar isso, integrantes do governo decidiram recorrer aos expedientes menos recomendveis: primeiro, mentiram. Depois, puseram a culpa na oposio. No tendo sucesso, voltaram a mentir e a mentir mais ainda, para s quando desmascarados se curvarem aos fatos. 
     A confuso comeou a tomar corpo nos dias 18 e 19. Influenciados pelos boatos, quase 1 milho de pais e mes de famlia correram para sacar o que supunham ser a derradeira parcela do Bolsa Famlia. At o ms passado, o pagamento do benefcio era escalonado de acordo com o nmero de registro de cadastro de cada um, o que fazia com que as datas de recebimento variassem. Mas, ao correrem para sacar seu dinheiro, todos os beneficirios deram com suas contas abastecidas. A anormalidade contribuiu para dar ainda mais credibilidade aos boatos. 
     Na tentativa de aplacar o corre-corre, o comando da Caixa declarou no dia 20 que os pagamentos haviam sido liberados todos juntos, ao contrrio do que sempre ocorreu, para acalmar a populao. Foi a primeira de muitas mentiras  e ainda agravada pelo oportunismo. Confiante em que o episdio poderia render dividendos polticos, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosrio, usou uma rede social para atacar a oposio (e, de quebra, a lngua portuguesa): "Boatos sobre o fim do Bolsa Famlia deve (sic) ser da central de notcias da oposio. Revela posio ou desejo de quem nunca valorizou a poltica". A presidente Dilma censurou a ministra, mas tambm procurou isentar o governo de culpa. " absurdamente desumano o autor desse boato. E  criminoso tambm", disse. 
     Os petistas preferiram o tom da ministra ao da presidente. Comandante do partido, Rui Falco chegou a falar em terrorismo eleitoral. O ex-presidente Lula juntou-se ao coro em estilo beatfico: "Tem gente que veio ao mundo para fazer o mal". A desonestidade e o mal, porm, logo revelaram sua origem. Quando a direo da Caixa divulgou a primeira verso fantasiosa sobre o motivo da liberao antecipada dos recursos, o banco e a Polcia Federal j sabiam que a mudana na data dos pagamentos havia sido determinada pela prpria instituio antes de comearem os boatos (e at agora por motivo inexplicado). 
     A leviandade no parou a. Mesmo tendo conhecimento do erro da Caixa, o governo difundiu a informao de que uma central de telemarketing do Rio de Janeiro teria disseminado os boatos sobre o fim do Bolsa Famlia. A notcia virou uma "linha de investigao" no inqurito aberto pela Polcia Federal para apurar a origem da boataria. O ministro da Justia, Jos Eduardo Cardozo, falou em "ao orquestrada". 
     O conto da carochinha governista comeou a ruir no dia 25, quando o jornal Folha de S.Paulo revelou que uma dona de casa do Cear havia sacado os benefcios na vspera do corre-corre s agncias. Desmascarados, os governistas tiveram de voltar ao centro do palco  dessa vez, constrangidos. Jorge Hereda, o presidente da Caixa, admitiu que o prprio banco estava na origem da trapalhada. E Cardozo, diante da farsa exposta da central de telemarketing, disse que a informao havia chegado a ele por meio de uma fita entregue por um jornalista. No dia seguinte, o ministrio desmentiu o ministro. No havia fita alguma e a informao tampouco havia partido da imprensa. Segundo agentes da prpria PF, a suspeita de uso de uma agncia de telemarketing se baseava no depoimento vago de uma nica testemunha. A presidente Dilma j apelidou um grupo de auxiliares mais prximos, Cardozo includo, de "trs porquinhos". Desta vez, foram os patetas que roubaram a cena. S para piorar a situao do governo, enquanto a confuso corria solta, a ministra Tereza Campello, responsvel pelo Bolsa Famlia, passeava alegremente na Disney.


3. UMA AFRONTA INACEITVEL
Ao metralhar uma base da polcia no Complexo do Alemo, no Rio, a bandidagem d mostras de poder e deixa claro que a guerra contra o crime est longe do fim.

     A entrada e a permanncia da polcia no Complexo do Alemo, territrio estratgico para a principal faco criminosa do Rio de Janeiro, foram um marco na guerra contra a bandidagem  mas nem de longe a ltima batalha. Desde novembro de 2010, quando os tanques da Marinha abriram caminho no local para a implantao de uma Unidade de Polcia Pacificadora (UPP), os marginais j haviam dado diversas demonstraes de fora. No ltimo dia 26, quiseram deixar bem claro que no arredaram p de seu bunker, e o fizeram na presena do secretrio de Segurana, Jos Mariano Beltrame. Ele estava no complexo como anfitrio do encontro Desafio da Paz, uma corrida de rua cujo trajeto pretendia refazer a rota de fuga dos traficantes na tomada do morro pela polcia dois anos atrs. Pouco antes da largada, porm, rajadas de fuzil foram disparadas durante cinco minutos ininterruptos contra a base da UPP, a apenas 100 metros da multido. Parte dos 2300 atletas se escondeu sob marquises e dentro dos banheiros qumicos; outros saram em disparada do Alemo. 
     As investigaes sobre os autores do ataque, s quais VEJA teve acesso, apontam para o traficante Lus Cludio Machado, o Marreta, um dos mais poderosos bandidos do Comando Vermelho ainda  solta. H quatro meses, ele estava entre os 31 presos que escaparam do Complexo Penitencirio de Gericin por um tnel subterrneo escavado sob as barbas da polcia. No dia da corrida, a ordem de Marreta era para que no se poupasse munio. Enquanto seus comparsas metralhavam a UPP, tiros eram disparados em outros trs pontos do complexo, espalhando o terror. Na madrugada, os marginais j davam sinais do que estava por vir. Um bando desfilou em comboio pela favela ostentando suas pistolas e fuzis, como nos velhos tempos. 
     Em nmero reduzido para o tamanho e a complexidade do Alemo, policiais que circulam pelo morro  noite cerram os olhos  ao dos criminosos  cada vez mais  vontade. Eles voltaram at a desfilar armados nos bailes funk. Recentemente, determinaram que escolas e lojas fossem fechadas por mais de 24 horas. Depois do tiroteio do ltimo dia 26, Beltrame convocou o Batalho de Operaes Especiais (Bope) para garantir a largada. O secretrio tambm determinou o reforo do policiamento na regio.  uma medida justa e necessria, mas que s vai prosperar se a tropa deixar de fazer vista grossa para as afrontas dos marginais. 
LESLIE LEITO


4. DUDU TRAZ A TEMPESTADE
O homem da foto diz ser o dono de meio milho de reais achados na cueca de dois passageiros flagrados no aeroporto de Braslia.  mentira. Os donos so outros. E Dudu  s a ponta de um grande escndalo prestes a estourar.
RODRIGO RANGEL E HUGO MARQUES

     Um passageiro flagrado no porto de embarque de um aeroporto com muito dinheiro vivo em seu poder no chega a ser uma novidade no Brasil. Tampouco causa grande surpresa se o tal passageiro tiver escolhido, como local para acondicionar as notas, suas roupas ntimas. Tudo isso j se viu  e tudo isso se repetiu na manh do ltimo dia 16 no Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Braslia. Nesse dia, uma quinta-feira, a Polcia Federal flagrou dois homens que tentavam embarcar para o Rio de Janeiro com 465.000 reais escondidos em suas meias e cuecas. A dupla foi detida para esclarecimentos e o dinheiro, apreendido. Horas depois, um terceiro homem se apresentou  polcia dizendo ser o dono da bolada. Identificou-se como Eduardo Lemos, disse que os homens eram seus funcionrios e que a quantia se destinava a comprar um imvel no Rio. Indagado sobre os motivos de ter recorrido ao mtodo (ainda) pouco usual para transporte de dinheiro, respondeu apenas que carregar valores em espcie no  crime. E ainda esnobou os policiais: para ele, o quase meio milho de reais apreendidos nem era "tanto dinheiro assim". Para comprovar o que dizia, fez questo de exibir o relgio de 120.000 reais que carregava no pulso e de informar que havia chegado ao prdio da polcia a bordo de um Porsche. O homem declarou ainda no ter nenhuma relao com polticos e disse que o dinheiro que seus empregados carregavam no provinha dos cofres pblicos. A realidade  bem diferente, conforme apurou a reportagem de VEJA. Eduardo Lemos, na verdade,  Carlos Eduardo Carneiro Lemos, um operador de mercado conhecido por fazer negcios com fundos de penso de empresas estatais, e o flagrante em que ele acaba de se envolver  o princpio de um grande escndalo. 
     Ao contrrio do que disse aos policiais, Dudu, como  chamado pelos amigos, tem excelentes contatos no mundo da poltica. Por essas conexes, foi parar h oito anos no banco da CPI dos Correios, que investigou o mensalo. L, teve de dar explicaes sobre transaes milionrias que fez quando ocupava o cargo de gerente de investimentos da Prece, o fundo de penso dos funcionrios da companhia de saneamento do Rio. Ele foi escolhido para o cargo pelo PT  mais precisamente por Marcelo Sereno, homem de confiana do ex-ministro Jos Dirceu , com a bno do aliado PCdoB. No posto, Dudu comandou operaes que contriburam para um prejuzo de mais de 100 milhes de reais ao fundo, pelas contas da prpria CPI. As transaes funcionavam da seguinte forma: corretoras amigas compravam papis de pouco valor no mercado e os repassavam  Prece por um preo muito acima do real. O fundo ficava com o prejuzo. Dudu e seus amigos, com os lucros da operao. Era ele o responsvel por autorizar os negcios. No ano passado, os golpes lhe renderam uma punio da Comisso de Valores Mobilirios (CVM). Num veredicto indito em processos que envolvem fundos de penso, ele foi condenado a pagar uma multa de 3,3 milhes de reais. Tambm em 2012, Dudu foi formalmente acusado pelo Ministrio Pblico Federal de tramar operaes prejudiciais aos cofres de outros dois fundos  a Refer, dos funcionrios da Rede Ferroviria Federal, e o Ncleos, da Eletronuclear. 
     Apesar de ter sido investigado e condenado, continuou operando. Hoje, usa como fachada a Fides Advisor Consultoria Financeira, aberta h pouco menos de dois anos, que tem como sede uma sala de escritrios virtuais num bairro nobre de Manaus. A empresa, que ele fundou em sociedade com um amigo,  apontada como fonte dos 15 milhes de reais que o operador diz faturar anualmente. Embora a sede da Fides seja em Manaus, o centro das atividades de Dudu fica mesmo em Braslia. 
     VEJA apurou que o dinheiro apreendido no aeroporto  a ponta aparente de um esquema grandioso que mistura interesses pblicos e privados, passa por operaes financeiras prejudiciais a fundos de penso e resulta em dividendos que beneficiam, alm dos envolvidos nas negociatas, tambm polticos que do sustentao aos dirigentes dos fundos responsveis por chancelar cada negcio. Dudu, o milionrio do Porsche,  s um personagem dessa rede, e sua atribuio principal  distribuir os lucros provenientes das operaes. Para dificultar o rastreamento do fluxo do dinheiro, a rede inclui empresas de factoring, servios de doleiros e contas em parasos fiscais. Os lucros obtidos so partilhados em dinheiro vivo. Cada pagamento  inclusive aos polticos   cuidadosamente registrado em planilhas, com nomes e valores. O dinheiro apreendido no Aeroporto JK deixou rastros. E as consequncias de sua apreenso mostraro que ela no tem nada de corriqueira.


